Amor aos Pedaços ou O Tarado de Itanhaém (Porquê ressuscitei este texto de 22 anos atrás: Conheci recentemente Itanhaém, e fiquei impressionado com a pobreza e a carência da cidade…) Sandra e eu fomos ao teatro assistir a comédia “Vestir o pai”, de Mário Viana, com Karin Rodrigues, dirigida por Paulo Autran.
#paulo autran
Em 14 de dezembro de 1999 lancei meu primeiro livro de poesias e desenhos aqui tem coisa pela Editora DBA, no espaço A Estufa do Leo Laniado, na R. Wizard 53 na Vila Madalena. Fiz o livro com muito capricho, pensando que ele poderia ser o único!
3 comentários
[…] Foi um evento alto astral, veja aqui. […]
Gostaria muito de ler novamente o livro "Aqui tem coisa". Onde posso comprá-lo? Obrigada!
Oi Rozilene, eu te envio, me passe teu endereço com CEP.
Em 14 Dezembro 1999 lancei meu primeiro livro de poesias e desenhos “aqui tem coisa” pela Editora DBA, na A Estufa do Leo Laniado, na R. Wizard 53 na Vila Madalena. Foi um evento alto astral, veja aqui. Menos de um ano depois em 27 de junho (terça-feira), às 20hs na Livraria Spiro na Al.
Encontrei no meu computador este meu texto, pré-blog, achei interessante…
COISAS DA SEMANA por Fernando Stickel 19/2/2000
“Eis a verdade!”
Andei lendo Nelson Rodrigues e reparei no uso frequente que ele faz dessa expressão.
Pensei em começar com “pois é,” mas acho que pois é, da maneira que está sendo dito hoje, pressupõe um certo torcer dos lábios. “Eis a verdade” é mais direto, não aceita rodeios nem caras e bocas, é meu estado de espírito, doa a quem doer.
Eis a verdade: Estou num buraco, numa situação meio esquisita, numa letargia, parálise, preguiça, inércia.
TORPOR: indiferença ou inércia moral. Desalento, esmorecimento, falta de ação, moleza.
Não que isto seja novidade, de jeito nenhum, conheço de longa data esta sensação. Apenas que desta vez está me incomodando mais. Como diz João Ubaldo nas páginas amarelas da Veja, o meu pequeno Fernando não sai do meu pé, cobrando, exigindo, reclamando ação, trabalho, iniciativa, criatividade.
Também essa semana foi de fuder. Meu carro me deixou na rua, não queria pegar, o outro carro, a minha querida Mercedes-Benz 500 SL 1986, a Polícia Federal quer levar embora por conta de problemas de documentação do primeiro dono. Os abajures da casa queimam misteriosamente, um atrás do outro, a esteira ergométrica foi ligada no 220, por uma distraçãozinha da empregada. Queimou tudo, puta preju. Essas coisas acontecem, mas não ajudaram em nada o meu já péssimo humor.
Aí a minha mulher teve a boa idéia de comprar entradas para o teatro pelo telefone, pra quem não sai de casa jamais até que foi um bom empurrão.
Primeiro programa: PAULO AUTRAN no Teatro Renaissance. Escrevo assim em maiúsculas porque ele merece. Uma hora de monólogo cativante, engraçado, emocionante. Saio alegre, acreditando na arte, na vida, na delícia de escrever, ouvir, representar, interpretar.
Segundo programa: Peça escrita por Antonio Ermírio de Morais, Brasil SOS ou qualquer coisa assim no Teatro da FAAP. Que sono! Que chatice! Que porre! Tudo muito correto, mas chato, chato, chato. Na saída, encontramos nossa amiga Karin Rodrigues, que faz o papel de Diretora do Hospital na peça, elogiamos muito seu colar…
Terceiro programa: Exposição de pinturas do BOI na Galeria Nara Roesler. Também com maiúsculas, porque maravilhosa. Nosso velho amigo José Carlos BOI Cezar Ferreira “at his best”, grande alegria!
Quarto programa: Ópera Cazas de Cazuza no Tom Brasil, dirigida por um tal de Pitta, também com esse nome…Minha mulher escolheu porque adora Cazuza, eu também gosto, bem… O espaço é idêntico ao Palace, ou seja, uma merda. Mesinhas mínimas, cadeirinhas mais mínimas, gente mínima, serviço mínimo e fumantes máximos, milhares deles se deleitando em produzir um ambiente de quinta categoria. People that came from strange zip codes, loiras fudidas, apertadas em jeans, homens de meia idade todos de preto, se achando o máximo, apesar da barriga e da careca.
O espetáculo?
Bem, o sentido da palavra afinação, para dizer o mínimo, foi assassinado, morto, sepultado e totalmente esquecido. Coitado do Cazuza, deve ter dado boas cambalhotas em seu caixão.
Quinto programa: Exposição múltipla no Centro Cultural Itaú. Essa então dá mais desânimo ainda de contar, afinal trata-se de um dos maiores orçamentos da América Latina. Bom, pra resumir, uns quinhentos curadores incompetentes selecionam, em torno de um tal “eixo curatorial” outros quinhentos jovens, desorientados, ambiciosos e preguiçosos com três ou quatro exceções, assim ditos “artistas”, afinal pra tirar foto sem foco e mandar ampliar só precisa ter um pouco de paitrocínio, para expor num prédio de quinta categoria (na Av. Paulista!) uma salada que eles curadores pensam justificar com textos absolutamente incompreensíveis e pretensiosos. Submetidos ( os textos) a um painel de “scholars” tenho certeza de que ninguém entenderia patavina. A quem será que eles pensam que enganam, deve ser a mesma turma que aplaude emocionada “Cazas de Cazuza”.
Sem mencionar a gripe que me pegou bem no meio da fumaça no Tom Brasil. Ah, sim! Que alegria! Na saída do Tom Brasil (saímos no meio do “espetáculo”) encontramos um congestionamento total,
a Vila Olímpia paralisada.
Legal, né?
1 comentário
[...] que nada funciona, as horas passam e nada acontece. Às vezes dura horas, outras vezes dias.(veja aqui a descrição em Fevereiro 2000) Não há o que fazer, a não ser evitar fazer besteira enquanto…
Foto: Marizilda Cruppe/Agência O Globo Acabo de voltar do velório do Paulo Autran, fui dar um abraço na viúva, Karin Rodrigues. Tive o privilégio de conviver com este casal maravilhoso, bem humorado, de bem com a vida. Pessoas super especiais. O Paulo vai fazer falta.
Fomos ao teatro ver “Vestir o pai”, com Karin Rodrigues dirigida por Paulo Autran. Hilário, excelente!
Saindo, fomos jantar no La Tartine, vizinho do Mestiço e muito gostoso, sempre com lugar, ao contrário do Mestiço, sempre lotado.
Nas mesas ao lado desenrolam-se conversas que nos chamam a atenção.
Ele alto, forte, 45 anos, grisalho nas têmporas, cara de serial killer, prolixo, voz alta e pausada, ela, mignon, gostosinha, parda, sorriso semi-cretino nos lábios, excelente ouvinte.
Atrás de nós outro casal curioso, ele jovem gatão gringo de mãos bonitas e costas largas, na segunda caipirinha tripla, ela mulata esguia, cabelos anelados, insinuosa e sorridente, no segundo balde de dry-martini.
Depois conto mais, anotamos tudo…Estas histórias poderão se chamar “Amor aos pedaços” ou “O tarado de Itanhaém”…
6 comentários
Oi, StickelEssas observações, esses achados sonoros, eu exercitava, quando morava no Rio, caminhando no domingo pela orla do Leblon.Fragmentos sonoros que, remendados ou emendados, dariam um registro…
Fernando, o La Tartine é uma delícia mesmo.Também sou uma observadora ..aliás em Sampa um restaurante em que não se tem a menor privacidade é o Parigi.Beijo
8^D
isso é cinema, só falta decupar
[...] Prometi a história completa, ei-la: [...]
5 comentários
Não sei o porque desse texto ....Faz algum tempo que acompanho seu blog. Eu, 21 anos aspirante a jornalista e historiador, paulistano nato e com um olhar nostálgico para o mundo mesmo com essa pouca i…
mild sorriso ... primeiro pelo texto, depois pelo comentario... voce nunca d'escreve tanto e suas observacoes me fazem viajar no relato. parece que eu to vendo... hoje ja eh sabado... que ele termine…
oI, StickelSei não, a indicaçaõ do La Tartine, pelo preço e pela oferta mais fácil de lugares, pareceu-me interessante.Mas as figuras descritas, e as descrições das situações, levam-me a seguinte perg…
Haha.. olhar meloso para dizer "vamos rachar o prato, certo?" mao de vaca! Bibiotecaria? Hmmm talvez a conheca, mas espero que eu nao tenha o mesmo sorriso cretino..
[...] aqui outro flash da vida real. é isso, por fernando stickel [ 15:03 ] Link para este post Comente [...]