A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 13 Em 2012, a Fundação Stickel encerrou parcerias com a Casa de Cultura da Brasilândia, sob gerência da Subprefeitura Freguesia-Brasilândia e a Paróquia São José Operário, ambas na Região Episcopal Brasilândia.
#casa de cultura da brasilândia
Em 2010 a Fundação Stickel promoveu o Curso de Documentário e Cinema “Brasilândia em cores” com a cineasta Julia Campos e apoio da equipe de sua produtora Brasilândia Filmes, em parceria com a Subprefeitura Freguesia/Brasilândia na Casa de Cultura da Brasilândia.
O resultado deste curso foi o documentário DNA da Brasilândia, curta metragem realizado entre Setembro e Novembro 2010, produzido pelos alunos e editado pela Fundação.
Júlia e os 18 participantes foram às ruas da Brasilândia para documentar a história do bairro e entrevistaram vários moradores com mais de 50 anos de Brasa. O vídeo conta a história do bairro, através destas pessoas que testemunharam o desenvolvimento e a transformação da Vila Tiro ao Pombo em Vila Brasilândia.
O documentário é um grande marco na produção audiovisual da Brasilândia, uma ótima referência de pesquisa e um instrumento para a população se apropriar de sua história. Além disso, presta homenagem a todos moradores da Brasilândia, em especial a Júlia Campos, falecida precocemente em fevereiro de 2011.
Alunos: Alberto Martins, Anaohan Verdaneiro, Carlos Alberto Rafael Naia, Flavio Marcio Vipo da Silva, Fredy Martins Santana, Gilberto Cezar, Iracy Bertuccelli Campos, Izabel Aparecida Moreno Augusto, José Osmar, Kaun Campos Miguel, Luana Alves de Souza, Lucas Pintom dos Santos, Monica Vanetti, Marcos Leandro Bertuccelli Campos, Marinalva Silva Costa, Obede Simão Sousa, Pascal Koudou Kokora, Thainã de Souza Barros
Direção: Julia Campos
Fotografia: Marcos Diógenes
Edição: Alex Feltre
Escrevi um artigo chamado "Aprendendo com o Fracasso" sobre experiências mal sucedidas da Fundação Stickel. O artigo foi publicado no portal do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS, veja aqui.
Alguém comentou o descalabro na Casa de Cultura da Brasilândia, situação que acabou por justificar o término da parceria que a Fundação Stickel vinha lá mantendo em 27/11/2012. Nosso parceiro na Brasilândia "Luisinho do Pandeiro" sempre apoiou as atividades da Fundação, divulgando nossas ações.
Curiosa sincronicidade!! Como que a fornecer subsídios para comprovar a tese desenvolvida no post abaixo, recebo hoje do Secretário Executivo de Comunicação da Prefeitura de São Paulo as Coletâneas Anuais dos Boletins Informativos AQUI das Subprefeituras, em seis volumes finamente encadernados,…
Aprendendo com o fracasso
A Fundação Stickel acaba de encerrar em 27/11/2012 parceria com a Casa de Cultura da Brasilândia, equipamento da Prefeitura de São Paulo sob a gerência da Subprefeitura Freguesia-Brasilândia.
Em Maio deste ano finalizamos parceria com a Paróquia São José Operário da igreja católica, localizada na Região Episcopal Brasilândia, somando dois encerramentos de parceria em 2012, o que gera a necessidade de reflexão. É preciso entender o que levou as parcerias ao fracasso, para que fatos como estes não se repitam no futuro.
Tenho certeza que todos os projetos que foram desenvolvidos, em ambos os locais, foram de boa qualidade e atenderam à comunidade local. Por qual razão então o fracasso? Que forças se mobilizaram para inviabilizar a presença da Fundação? A quem interessa a nossa ausência?
Paróquia São José Operário
A Fundação chegou à Paróquia no final de 2008 através de reuniões da comunidade local com nossos APS (Agente de Proteção Social) que trabalhavam no Programa Ação Família, desenvolvido pela Fundação em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social. As reuniões se realizavam no salão paroquial, com a concordância não muito entusiástica do padre responsável.
A Fundação se retirou do Programa Ação Família, porém os contatos com a comunidade permaneceram, o trabalho evoluiu e frutificou com a criação de dois grupos de geração de renda em Maio 2010, e a assinatura de um contrato de parceria com a Paróquia para que os Grupos se desenvolvessem lá, firmado pelo Pe. Hilton em Agosto do mesmo ano, contrato esse que se verificaria totalmente nulo, uma vez que o padre não poderia assiná-lo sem a concordância da Cúria.
Uma crise se instalou ao final de 2010 por divergências em relação à reforma que a Fundação executava no imóvel da Paróquia, o Pe. Hilton desapareceu da Paróquia no início de 2011, vários padres se sucederam e nenhum deles se interessou em dialogar com a Fundação. A curiosa hierarquia da igreja dá autonomia quase total ao padre da paróquia, o Bispo pouca influência tem nas decisões tomadas na comunidade, que acabou por rejeitar a presença da Fundação, processo que culminou com o encerramento de atividades na Paróquia e a saída da Fundação em Maio 2012.
Percebo hoje com clareza que a Fundação pecou em vários aspectos: Por não obter o apoio da comunidade local aos seus projetos; Por falta de clareza quanto à estrutura hierárquica da Igreja Católica; Por não ter procurado o superior hierárquico do Pe. Hilton, o Bispo da Brasilândia, na assinatura do contrato de parceria.
Casa de Cultura da Brasilândia
Em relação à Casa de Cultura o processo foi similar, pois o convite para que a Fundação operasse lá os seus projetos não partiu de uma liderança local legítima, nem mesmo de um profissional graduado da hierarquia municipal, em consequência a Fundação acabou por aceitar uma posição de parceria informal, sem a garantia de contrato, realizando cursos e exposições com pouco interesse da comunidade local, o que poderia ter sido garantido pelo apoio das lideranças da comunidade e/ou por suas atividades estarem inseridas na execução de políticas públicas.
Crises se sucederam na Casa de Cultura pela total falta de apoio da Prefeitura, que não arcou com sua parcela de responsabilidade. A Casa de Cultura nunca abriu aos fins de semana, só para citar uma falha grave, e culminou com atitude francamente agressiva contrária às atividades da Fundação por parte dos funcionários públicos alocados na Casa de Cultura, o que acabou por gerar níveis de desconforto de tal ordem que a Fundação se viu obrigada a encerrar suas atividades.
O aprendizado
Uma pista imediata para entender as razões da nossa falha, em ambos os casos, reside na total ausência de interlocução, durante o período total das parcerias, com no mínimo uma liderança forte, representativa da comunidade atendida, bem como da instituição parceira. A ausência desta interlocução em alto nível acabou por minar a legitimidade do trabalho da Fundação.
É bem verdade que estes fracassos acabaram por gerar enorme experiência, que passa a fazer parte do acervo de conhecimento e sabedorias que a Fundação vem acumulando no trabalho com a população carente, que é complexo e exige habilidades políticas no mesmo nível das habilidades técnicas.?Apenas a prática, a reflexão, o aprimoramento técnico e político, e ao final a insistência em nossa missão será capaz de nos ensinar o caminho correto para este trabalho.
É bem verdade ainda que tanto de um lado, quanto de outro, é preciso o amadurecimento das instituições, seja das tomadoras de serviços (governo, igreja) quanto das prestadoras de serviços, (fundações, associações, ONGS em geral) para que as parcerias possam fluir sem sobressaltos e cumprir com sua função social, cultural, de benemerência e outras.
Existe, apesar de tudo, um indicador do acerto de nosso trabalho, que são os depoimentos positivos do nosso público, tanto de alunos dos diversos cursos, quanto dos parceiros que vem participando de nossas atividades e evolução.
No último sábado, antes da inauguração da exposição "Um Olhar sobre a Brasilândia", Arnaldo Pappalardo fez uma palestra para os alunos do curso "Aproximações com a Arte" realizado pela Fundação Stickel em parceira com o IMPAES, CENPEC e a Subprefeitura Freguesia do Ó/Brasilândia.
Da esq. para a direita, Thais, funcionária da Fundação Stickel; Antonio, aluno; Arnaldo Pappalardo, professor; Gilberto, aluno e Lucas Cruz, professor, na inauguração da exposição "Um Olhar sobre a Brasilândia", com trabalhos dos alunos do Projeto Contrapartida, promovida pela Fundação Stickel e…
Começam as aulas do curso de curtas-metragens na Casa de Cultura da Brasilândia. Realizado pela Fundação Stickel em parceria com a Associação Cultural Kinoforum e apoio da Subprefeitura Freguesia-Brasilândia, a oficina contará com 20 jovens da região que frequentarão gratuitamente o curso.
Começam as aulas de curso de curtas-metragens na Brasilândia Realizada pela Fundação Stickel e a Associação Cultural Kinoforum, com apoio da Subprefeitura Freguesia-Brasilândia, a oficina contará com 20 jovens da região para frequentarem gratuitamente o curso. As aulas começam neste sábado (5), a partir das 9 horas.
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1 comentário
Bom aprender com erros. Gostei da transparencia.