Minha mãe, Martha Diederichsen Stickel, nos anos cinquenta, Suíça ou Áustria. A máquina fotográfica que ela está segurando é provávelmente uma Contax, que eu ainda cheguei a usar nos anos setenta, depois sumiu.
#áustria
Viena, terça-feira, 11 Junho 2002, tomando um drink no terraço do Hotel Kärtnerhof, jogando conversa fora com a patroa, fumando um charuto e rabiscando um envelope.
O tempo passa. Durante toda a minha vida, desde os 16 anos fiz análise, dos mais variados tipos, grupal, individual, Freudiana radical, Junguiana, mixtas, enfim, acho que no total somei cerca de 20 anos em análise, até que me dei alta. Sim, eu me dei alta.
Minha mãe me lembrou hoje de um fato acontecido há 56 anos atrás.
Corria o ano de 1952, meus pais viajavam comigo e meus irmãos na Suíça, e na cidade de Zurique meu pai me levou a uma loja de brinquedos.
Eu com quatro anos, assim que vi um urso de brinquedo, encilhado com sela e estribos, subi nele para brincar, o vendedor sem perguntar nada me deu uma bofetada, me arrancando do lombo do urso.
Meu pai imedatamente deu um safanão de volta e o vendedor rolou escada abaixo.
Tumulto armado, chegou a polícia dizendo que iria todo mundo para a delegacia, meu pai disse que jamais entraria no camburão comigo, a polícia retrucou que ele poderia ir de taxi, mas teria de pagar o taxi.
Na delegacia meu pai explicou que no Brasil não existiria jamais a hipótese de alguém simplesmente esbofetear uma criança, ainda mais dentro de uma loja de brinquedos, e que em circunstancias idênticas, no Brasil, o vendedor já estaria morto…
Diferenças culturais esclarecidas, encerrou-se o episódio.
Desta temporada na Suíça e na Áustria lembro de algumas coisas, por exemplo da loja de brinquedo e da escada, da bofetada não.
Lembro de uma estrada no meio da floresta, viajando de carro chegamos a um pequeno bar ou restaurante e havia uma Ferrari vermelha parada na porta.
Lembro também com pungente clareza do cheiro da resina nas árvores, e do fogão Kaminofen todo em ladrilhos do hotel.
Lembro ainda de um congestionamento em uma estrada, de noite, o carro ferveu e meu pai foi pegar água numa bica.
2 comentários
As lembranças povoam a nossa memória, o bom é q vc filtrou as boas lembranças, o cheiro bom,os lugares agradáveis...E seu pai foi um super pai, eu tb derrubo da na bofetada, jogo escada a baixo quem o…
é legal quando desentarramos essas histórias...tem sempre um detalhezinho guardado lá no fundo, né?
Auto-retrato no estilo "ilusionista". Quer ver um filme policial excelente, num cenário impecável com uma trilha sonora by Philip Glass e atores magistrais? Vá ver Eisenheim, o Ilusionista. É interessante pensar que Dr.
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o filme é realmente maravilhoso. edward norton é, na minha opinião, o melhor ator de todos os tempos. brilhante. bela foto fer. engraçada.
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Bela letra, Fernando ! Ótima a recordação de viagem.