Sem pele ou lona (por Ledusha)

Há horas definitivas

em que o amor te põe nocaute

Não existe pele ou lona alguma

que suavize o seu impacto

O amor te expõe a tudo

de novo, de velho, de insano,

de lindo, de fácil

impossível

Depois de espumar

como um mar bravio

em seus ouvidos

subitamente repousa

e de joelhos te promete a eternidade

– quem o rejeitaria?

Às vezes

depois de dormir no

teu colo

te esfola vivo

O amor sabe como te arrancar o couro,

baby

Sua brasa intermitente

no bom e no tal sentido

te fazem um ser movido a ciscos,

relâmpagos de lâmina,

prazeres e suspiros

O amor

te encaixa

no caos do cosmo

no colo maternal das nuvens

Te deixa à beira, à deriva

e te incita a pisar sem olhos seu precioso gume

O amor detona revoluções, partidos,

linhas filosóficas, correntes artísticas

Fomenta banalidades, paixões, teses de doutorado,

crimes, letras de música e saudade

Instrumentos que delineiam

a história e geografia de cada um

O amor te faz preciso

Vulnerável

porém radioso