Recém-nascido poema da Ledusha:

Espreito sobre a pedra do meu peito:

Inerte feito lagarta

Pisco sem horário fixo

Assim como virgulo à esmo

Com agudez de flecha espicho

A lépida língua ambígua e fisgo

Tudo que se arrisca a musgo ou visco

E desse ponto de vista vesgo, misto

Visto de outras vozes

Tudo que se chama

Chispa, nesga, caco, cisco

Pensam que de versar fiquei extrema:

Papo pro-lixo!

Pinço a brisa, lambo a pista

Sem fricotes poucas vezes desvario

Desprego a peça, pago o fisco

Quase nunca é só no coração que arde

O verso arisco