Eu morava em 1985 em New York, onde tinha um estúdio, e fui de bicicleta a um concerto no Carnegie Hall, não me lembro se Oscar Peterson ou Duke Ellington.
Ao final do concerto, inebriado por jazz de excelente qualidade, saí para a noite fresca, sob o tradicional céu novaiorquino azul profundo.
Dei carona para alguém na minha bicicleta, acho que foi o David, meu vizinho. Tarde da noite, ruas vazias, desci a 5ª Avenida em velocidade, pedalando forte embalado pelo peso extra, o vento na minha cara.
Sensação de liberdade e beleza, éramos os donos daquela cidade, podíamos tudo em cima daquela bicicleta.

Sexta-feira, 25/2/2011, final da tarde nos jardins minha mulher me retira do escritório e ganhamos a calçada, tarde deliciosa, gente bonita, bares cheios.
Primeira parada: Cartier, onde Sandra ganha uma pulseira desejada ardentemente desde a adolescência. Felicidade completa brindada com taças de rosé brut oferecidas pela casa.
Segunda parada: Dan Galeria, onde Sandra acerta com Peter Cohn as condições de venda de uma pintura para um cliente. De quebra, conversas deliciosas sobre arte e chocolates.
Terceira parada: Le Vin, 19:00h, destroçamos moule et frites acompanhada de Chablis, crème brûlée de sobremesa.
Ganhamos novamente a calçada, inebriados pelo vinho e todas as coisas boas que compartilhamos há mais de dez anos…
Céu azul profundo, restaurantes recebendo seus clientes, burburinho, Sandra pega o carro no estacionamento e eu a moto, saio com a mesma sensação de liberdade e beleza vivida 26 anos atrás em New York.
Quarta parada: Nossa casa, onde chegamos com poucos minutos de diferença, em altíssimo astral, que delícia!