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A magia do Natal existia na minha infância.

Na casa da Rua dos Franceses na Bela Vista, a sala de visitas era blindada semanas antes do Natal. Janelas e estas portas duplas com vitrais, eram fechadas a chave e protegidas com panos pretos por todas as frestas.

Lá dentro minha mãe, minha avó e outros eleitos preparavam em segredo a árvore de natal e os presentes.

As crianças tinham que se contentar com o “Adventskalender” onde cada janelinha era aberta assim que se aproximava o Natal.

O entrar e sair da sala pelos adultos eram as únicas oportunidades de vislumbrar alguma coisa.

Era simplesmente fascinante.

Finalmente no grande dia todo mundo se arrumava e as portas se abriam ao final da tarde do dia 24. Com todas as velas acesas a árvore de Natal se apresentava gloriosa, ali ao lado um enorme balde d’água de plantão, meu pai se preocupava com a possibilidade de um incêndio com tantas velas.

Aí cantava-se “O Tannenbaum” e Stille Nacht” tudo em alemão.

Finalmente a largada para encontrar e abrir os presentes. E para pegar os chocolates pendurados na árvore.

Depois, a ceia maravilhosa, tudo envolto na luz dourada das velas.