Que mulher nunca teve

Um sutiã meio furado,

Um tio meio tarado

Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca temeu

Uma consulta dentária,

Passar atestado de otária

Ou a incontinência urinária?

Que mulher nunca tomou

Um fora de querer sumir,

Um porre de cair

Ou um lexotan pra dormir?

Que mulher nunca sonhou

Com o marido da melhor amiga,

Com a sogra morta, estendida,

Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou

Em zunir uma panela,

Jogar os filhos pela janela

Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou

Pra ter a perna depilada,

Pra aturar uma empregada

Ou pra trabalhar menstruada?

Que mulher nunca transou

Uma onda natureba,

Escondendo uma pereba

Ou com o dono de uma jeba?

Que mulher nunca gozou

Pensando que era amor,

Dentro de um elevador

Ou com a ponta do indicador?

Que mulher nunca riu

Com o dente sujo de feijão,

De um bobo com o pau na mão

Ou só por obrigação?

Que mulher nunca pediu

Um dinheiro que nunca pagou,

Um perdão que nunca rolou

Ou licença porque o “Chico” chegou?

Que mulher nunca perdeu

A compostura no trabalho,

Uma festa por um jogo de baralho

Ou uma amiga por um caralho?

Que mulher nunca dormiu

Sem tirar a maquiagem,

Ouvindo muita bobagem

Ou no meio de uma sacanagem?

Que mulher nunca acordou

Com um desconhecido ao lado,

Com o cabelo desgrenhado

Ou com o travesseiro babado?

Que mulher nunca comeu

Uma caixa de Bis, por ansiedade,

Uma alface, no almoço, por vaidade

Ou um canalha por saudade?

Que mulher nunca sofreu

Um assédio sexual,

Dor de corno por um boçal

Ou uma comichão vaginal?

Que mulher nunca imaginou

Ser currada por um ladrão,

Dançar nua num salão

Ou trepar num avião?

Que mulher nunca apertou

O pé no sapato pra caber,

A barriga pra emagrecer

Ou um fininho pra enlouquecer?

Que mulher nunca jurou

Que não estava ao telefone,

Que nem pensa em silicone

Ou que “dele” não lembra nem o nome?

Que mulher suportaria

Ser chamada de bolota,

Ter pau, ao invés de xoxota

Ou ler toda essa coisa idiota?