Me lembrava bem da obra mais antiga do Milton Machado, cujo trabalho sempre admirei, dentro de uma área próxima ao Waltercio Caldas,, utilizando em seus trabalhos palavras e conceitos com maestria e elegância cabalística.
Esta exposição do Milton Machado no Instituto Tomie Ohtake reavivou em mim, no entanto, a crítica que faço ao crescente uso da fotografia pelos artistas plásticos, que em sua grande maioria acabam DILUINDO seus trabalhos pelo uso desta técnica.
Faltou nesta exposição o “punch” no estômago, aquela sensação inequívoca de surpresa, prazer, curiosidade e, sobretudo, estranheza, que se obtém quando se está na frente de uma grande obra de arte, e que obtive nos trabalhos mais antigos do Milton, assim como venho obtendo na obra do Waltercio, por exemplo.
Não que eu seja contra a técnica. Já fui, mas não sou mais, e cito excelentes artistas plásticos trabalhando com fotografia:
Allan Sekula e Candida Höfer, artistas cujo trabalho conheci na Dokumenta 11, Axel Hütte, Caio Reisewitz, Rochelle Costi.
Fui à vernissage no ITO no dia 2/3/05, haviam poucas pessoas, talvez pelo fato do artista ser carioca, e o toque engraçado da exposição ficou por conta da presença contrastante de meia dúzia de intelectuais e 3 ou 4 senhoras finas que nadam de bóia na sociedade Harmonia de Tênis…