
Na foto, a performance da britânica Kira O’Reilly, com um porco morto e um cisne empalhado.
It’s art, says the naked woman who’ll hug a dead pig on stage.
Durante cerca de 30 anos batalhei profissionalmente nas artes plásticas, com resultado não muito bom, devo confessar. É bem verdade que minha carreira, como um todo, sofreu todos os tipos de interferências e interrupções possíveis e imagináveis, desde a falta de foco até problemas familiares, no entanto sempre me mantive bem informado, e me julgo um bom artista (hoje fotógrafo) e um bom conhecedor da arte moderna/contemporânea. Vi muita, muita arte, aqui e no exterior, de boa e má qualidade.
Só que agora não dá mais.
O vale-tudo nas artes plásticas chegou a níveis insuportáveis, perdeu a graça, me desinteresso a cada dia que passa.
O exemplo acima é apenas um dentre milhares de bobagens que são elevadas diáriamente à condição de ARTE por uma máquina apodrecida, tal qual o porco da performance, formada pelo mercado, marchands, críticos e curadores. E, é óbvio, por deslumbrados desinformados que investem nestas merdas.
Este trabalho faz parte da exposição SK-INTERFACES, em Liverpool. Sua introdução, pouco ambiciosa, diz assim:
“An exhibition of contemporary work at the intersection of art, science, philosophy and social culture.”
BASTA!!!!
A aberração é grande, mas essa festa sempre existiu. Quem não se lembra das “instalações” dos ans 70 ?
Depois da Bienal do vazio – “Em Ivo Contato” – aquela gigantesca merda, ou ainda uma
grande bobagem, uma sonegação de informações, uma arrogante curadoria, uma gigantesca merda enfim, acho que ao invés das artes visuais o negócio é fazer pãezinhos, levar o cachorro passear,tomar banho de mar, e outras coisas.
Realmente acho que a arte perdeu as estribeiras e o sistema venceu – ‘Banalizamos a morte, o outro, nós mesmos. Nunca fomos tão vulgares…’
Há muito tempo que essas merdas aparecem na mídia sendo chamadas de arte. Já é conhecida uma série de fotos mostrando ânus como manifestação artística. Deste jeito até eu vou virar artista, vou fazer instalações que vão consistir de mesas bem arrumadinhas sobre as quais vou depositar meus próprios excrementos, a “manifestação do artista”. Sim, faria isso porque o público que gosta dessa arte merece isso mesmo.
Algumas décadas atrás a coisa já foi mais séria, veja: http://home.sprynet.com/~mindweb/can.htm
A alta concorrência dentro do mercado da arte origina a que alguns “artistadícios”, ou “artistoides”, busquem compulsivamente a originalidade ou a polémica. Vale tudo para chamar atenção seja a custo for, o mais importante é a fama e o reconhecimento nem que para isso se maltratem ou usem animais mortos. A etica que se lixe: o que conta é o vale-tudo da fricalhada.
Boa,
aushdausd e eu que pensava em silêncio, para não incomodar meu próceres, que essas porcarias não são arte nem aqui nem na china… Parabéns…fico feliz de saber que ainda há gente com bom senso…
Hijak, realmente o bom senso tem sido difícil de encontrar nas artes plásticas, depois que liberou geral.