Lembro-me perfeitamente bem, aos seis anos de idade, da inauguração do Parque do Ibirapuera em 1954, como parte das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo.

Neste cenário inquestionávelmente belo, que incluia a escultura símbolo, desaparecida há décadas, está surgindo uma coisa nova, horrorosa, fora de escala, agressiva.

Provávelmente foi ao executar o projeto deste monstrengo, chamado de auditório que Oscar Niemeyer lançou as bases da luxação do seu braço ocorrida esta semana.

Mão pesada, neste caso. O teatro que dona Martaxa tanto insistiu em fazer, comprando briga com o Ministério Público e etc… aí está, quase pronto, monstruoso. Gosto e admiro muitas obras do Niemeyer, mas daí a virar esta unanimidade nacional e só porque leva a ssinatura do O. N. ser considerada uma obra de arte vai enorme distância. Desculpe, mestre.

Fica a melancólica certeza de que a Prefeitura é sempre a primeira a cortar árvores e desrespeitar os cidadãos, das mais variadas maneiras, neste caso enfeiando desnecessáriamente a cidade.