guaruja
As férias de verão da minha adolescência eram passadas invariavelmente na Praia do Guarujá.
Vizinha à casa dos meus pais ficava a casa dos meus avós e da minha tia Mausi, e lá havia uma empregada que provocava sonhos eróticos na molecada.
A Mazé era uma legítima Raimunda, feia de cara e boa de bunda, mulata simpática e sorridente, que tinha a boca torta. Era rodriguiana por excelência, usava minissaia e sabia que era gostosa.
Eu e o meu amigo Klaus planejávamos abrir o jogo com ela e declarar nossas intenções de conjunção carnal, queríamos levá-la até o canto dos Astúrias, e lá, encarapitados nas pedras declarar nosso tesão. Na nossa fantasia ela ia dar para nós lá mesmo, no meio do mato.
Quase todas as manhãs, bem cedo, íamos pescar com o meu avô Arthur, que me permitia, como neto mais velho, manivelar e ligar o motor diesel de um cilindro Skandia do seu barco de pesca.
À tarde, com o mesmo empenho com que eu me dedicava a manivelar o motor, nos dedicàvamos a fumar escondido os cigarros Marlboro de um inquilino que usava a casa em Julho, e deixava tudo lá…, ler gibis do Capitão Marvel, planejar o ataque à Mazé e passar muitas horas trancados no banheiro…
À noite ia todo mundo a pé para o centro para a sessão de cinema, depois sorvetes na Sorveteria Guarujá.
Bons tempos!