Conversa com o meu filho Arthur de 9 anos no carro, a caminho do Hospital Osvaldo Cruz para visitar meu pai Erico, internado desde quarta-feira:

-Papi, o que é que o Vovô tem?

-Um tumor no pâncreas.

-Onde é isso?

-É um órgão que fica mais ou menos embaixo do estômago, no começo do intestino.

-Ele pode morrer disso?

-Pode, mas ninguém sabe quando.? (um longo silêncio)

-Papi, (chorando) estou muito triste que o vovô vai morrer.

-Não chora, Arthur, estamos todos tristes, a gente tem que ser forte e chegar lá legal, para dar um beijo no Vovô, dar uma força pra Vovó. Estamos torcendo pra ele sair do hospital logo.

-É, mas eu estou muito triste. (continua chorando…)

-Arthur, (chegando no hospital, eu também quase chorando) deixa eu te explicar uma coisa, o Vovô não consegue comer pela boca, então colocaram uma sonda nele (explico o que é a sonda) para ele poder se alimentar e ficar mais forte.

-Mas ele sente o gosto?

-Não, a comida, que é uma papinha líquida vai direto para o intestino.

-Mas ele fica com fome?

-Não, e ele não tem dor nenhuma, porque os médicos estão tratando muito bem dele. Chegando ao quarto, meu pai dorme de boca aberta na cadeira. Arthur cumprimenta a tia e recomeça a chorar, deita no colo da avó, conversam um pouco, ele se acalma, daqui a pouco o avô acorda, Arthur dá um beijo no avô, conversam, e todo mundo assiste um programa de tubarões no National Geographic.

Na saída:

-Papi, eu quero vir visitar o Vovô todos os dias.