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Ca’d’Oro 1953-2009

Símbolo do charme de um centro paulistano que não existe mais, o Grand Hotel Ca’d’Oro, primeiro cinco estrelas de São Paulo, fechou suas portas ontem.

Nas grandes ocasiões familiares meu pai nos levava sempre ao restaurante do hotel Ca’d’Oro, tanto na R. Basilio da Gama quanto na R. Augusta, onde invariavelmente a pedida era fettuccine al triplo burro, preparado na nossa frente com generosas doses de creme de leite, manteiga e parmesão.

Recém casado, nos anos setenta, ainda me aventurei por lá, dispensando a tutela do meu pai.

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Os homens só entravam de terno e gravata, ou no mínimo paletó. O maître Atico conhecia todo mundo, cumprimentava pelo nome, era um grande acontecimento.

A decoração era pesada, cafona como só os italianos sabem ser, mas tinha o seu charme.

A vida muda, e hoje em dia não tenho mais paciência para restaurantes muito cheios de “frescura”, prefiro ambientes mais simples.

Levo comigo do Ca’d’Oro memórias agradáveis de um tempo onde meu pai reinava absoluto, quando “ir à cidade” exigia terno e gravata, e os jantares eram ocasiões festivas e antecipadas por toda a família.