
Mais um capítulo da tragédia “BRASILEIRO ODEIA ÁRVORE”
Ontem vi um caminhão da Prefeitura de São Paulo e sua equipe podando uma árvore na R. Nova Cidade, Vila Olímpia, em frente ao meu estúdio. Não me preocupei, pois é época de poda.
Hoje cedo descubro que a poda foi radical, a árvore frondosa, ereta, sem cupins não existe mais.
Fui me informar e logo encontro uma senhora no portão da casa em frente. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:
“-Bom dia, a senhora sabe por que cortaram esta árvore?
-Porque estava com perigo de cair, as raízes entraram na minha casa.
-Foi a senhora que pediu?
-Foi a minha filha.
-Mas por que cortar, não tem cupim. (apontei o toco cortado, que ainda estava ali)
-Não sei, eu só pedi a poda, eles que disseram que tinha perigo.
-Que pecado!
-Pecado pra você que não varre as folhas, e as minhas costas?! Você tem árvore na frente da sua casa?
-Tenho, e já plantei pelo menos umas 10 árvores só aqui na Vila Olímpia.
-Bom proveito.”
E foi pra dentro de casa, brava.
Perigo de cair uma pinóia!
O inacreditável é que a Prefeitura atenda sumáriamente o pedido de uma velha rabugenta e preguiçosa, que faz o pedido apenas por não gostar de varrer as folhas. Junto com a árvore, é óbvio, foi-se a casa do bem-te-vi.
Infelizmente estou cansado de ver esta cena lamentável.
Bem, essa episódio maléfico e inconsciente dessa senhora, mandante do crime e praticado pelos trabalhadores da prefeitura, descreve semelhante acontecimento no início dos anos 80 quando Loyola Brandão,
no seu cotidiano normal, presencia uma mulher envenenando um pé de ipê amarelo, o indefeso ipê morreu, secou… A envenenadora e até bem informada dizia justificando seu ato criminoso, – que a as flores daquela arvore desgraçada sujavam a sua calçada… Loyola, a partir desse fato e com aquela palavra “desgraçada” que não saia de sua mente, tem o Insight e começa escrever o clássico, Não verás pais nenhum. Como se vê, ainda há muita gente ignorante e bruta, cortar uma arvore sem critérios do porque é também um ato de violência…Não é mesmo?
Moro em Brasília e aqui, no ano passado, houve um episódio parecido. A Terracap realizou um estudo e constatou que uma espécie de besouro estava comendo as raízes de um tipo de árvore bastante comum na cidade. Então, decidiram derrubar aquelas com risco de cair, principalmente na época das chuvas. Quando os homens chegaram com a serra elétrica, uma síndica de um bloco organizou um movimento, faixas, cartazes e uma liminar impedindo a derrubada das árvores condenadas. Pois bem, semana seguinte chuvas e temporais e 5 carros de moradores destruídos pelas árvores. Sou contra a derrubada, mas a favor do bom senso. Que se plantem novas espécies no lugar das que precisam ser arrancadas.
Bem que a velha podia ter ido junto com a árvore. Mas o grande problema, é que a filha vai demorar um pouco mais para nos deixar.
LAMENTÁVEL
F.C.